Cepelos

Sobranceira ao rio Tâmega, a freguesia de Cepelos esteve, desde sempre, voltada para este importante afluente do Douro.

A denominação desta localidade deriva de uma armadilha de caça e de tortura, usada para capturar um animal pelo pescoço ou pelas patas, evitando a sua fuga. À partida, parecerá estranho tal topónimo para uma freguesia, mas se se tiver presente que este advém da Quinta de Figueiredo, designada, até ao século XV, por Quinta de Cepelos, a denominação deixa de parecer tão estranha pois, segundo as memórias paroquiais de 1758, Cepelos era abundante em espécies cinegéticas.

No atual estado da investigação é possível remeter, as origens de Cepelos para a época Romana, como comprova um achado furtuito constituído por dezanove peças em cerâmica de uso comum, recolhidas na zona da Boavista, pelo que se poderá aventar a possibilidade de aí ter existido um povoado ou mesmo uma villa (casa de campo romana). Cepelos era ainda atravessada pelas vias que de Tongobriga (Marco de Canaveses) se dirigiam para Panoias (Vila Real), Bracara Augusta (Braga) e Portus (Porto).

Após a queda do Império Romano, são identificados pelo paroquial Suevo (séc. VI) dois povoados em Cepelos, um localizado em Aldar e outro em Formão, integrando ambos, o território da diocese do Porto; no entanto, só a realização de trabalhos arqueológicos nestes locais poderá, eventualmente confirmar estes dados.

Dos primeiros tempos da nacionalidade, há a notícia da fundação, pela rainha D. Mafalda (esposa de D. Afonso I), de uma albergaria de apoio a peregrinos de Santiago de Compostela, na rua do Covelo (atual 31 de Janeiro) que depois passa também a acolher peregrinos de S. Gonçalo. Anos mais tarde, D. Sancho I concede carta de couto do lugar do Covelo a D. Gonçalo Mendes de Sousa (da linhagem dos Sousões), e de acordo com as inquirições de D. Afonso III de 1258, os cavaleiros templários possuíam em Cepelos cinco vinhas, três das quais, doadas por D. Mendo Soares e duas por D. Soeiro Egas.

Entre os finais da Idade Média e o início da Época Moderna é instituído o Concelho de Gouveia de Riba Tâmega que tem precisamente, em Cepelos, a sua sede, e foi seu donatário Pedro Peixoto, que participou na tomada de Ceuta em 1415. Este é, aliás, o Senhor de Gouveia mais antigo de que há memória. Como Pedro Peixoto não tinha descendência, vendeu este senhorio a Fernão Gonçalves de Miranda, com o consentimento de D. Afonso V. No ano de 1472, voltaria a ser vendido a Fernão de Sousa (pertencente à linhagem dos Sousas Chichorro) e na posse desta família esteve até à sua extinção em 1835.

Floresceram ainda neste território várias famílias nobres, sendo de destacar os Vasconcelos da Casa de Fontelas, dos quais descende praticamente toda a aristocracia amarantina.

Ao longo dos séculos, Cepelos foi desenvolvendo a sua malha urbana entre o Ribeirinho e o Largo do Arquinho evidente na configuração dos seus arruamentos constituídos por uma só rua muito comprida e de muita passagem. Relativamente afastadas da Baixa Ribeirinha do Covelo ficavam a Quinta de Figueiredo, a das Fontainhas, a de Formão, a da Boavista e o Morgado de Fontelas, bem como as povoações de Formão, Figueiredo e Tapado.

Após a reforma dos concelhos de 1835, a maioria das freguesias de Gouveia de Ribatâmega, são agregadas às de Gestaço e à da Villa d’ Amarante, originando o Concelho de Amarante que, algum tempo depois, abrange também algumas freguesias do extinto Concelho de Santa Cruz de Ribatâmega.

Ao longo do séc. XX, Cepelos é alvo de profundas intervenções urbanas que dão origem a espaços de lazer, comércio, serviços e residenciais. Estas intervenções contribuíram para o desenvolvimento e para o crescimento desta localidade, mas implicaram a perda de alguns edifícios histórico, tais como, a Albergaria do Covelo do Tâmega, a Capela de Nossa Senhora da Graça, a Capela de Santa Ana, a Casa da Câmara de Gouveia e o Pelourinho de Gouveia de Ribatâmega.

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Igreja de Nossa Senhora da Assunção

A atual igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção foi construída no séc. XV/XVI. De planta retangular, de uma só nave, com cabeceira igualmente retangular, apresenta uma arquitetura muito austera, como é próprio do Estilo-Chão. No seu interior, pode ver-se um altar-mor em talha dourada e dois colaterais. No trono do retábulo da capela-mor, a imagem da padroeira, Nossa Senhora da Assunção, datada do séc. XX. Esta igreja não era detentora de sacrário e pertencia ao Mosteiro Beneditino de Santa Maria de Pombeiro - Felgueiras.

Casa de Fontelas

Esta casa já seria uma realidade no ano de 1534, no entanto, foi sendo ampliada e reformulada ao longo da época Moderna. O conjunto edificado é constituído por três corpos de dois pisos justapostos de planta retangular. Merece especial atenção a torre de dois andares, coroada de ameias, construída no séc. XVIII. No alçado oriental da casa pode ver-se uma pequena capela construída em 1674, em honra do mártir S. Lourenço.

Nesta Casa e Quinta de Fontelas foi instituído um morgado a 17 de Abril de 1534, por D. Inês Mendes de Vasconcelos.

Atualmente, o espaço habitacional encontra-se arruinado, mas continuam ativas as atividades agropecuárias.

Casa de Figueiredo

Construída na época Moderna, a casa de Figueiredo apresenta-se atualmente com uma configuração bastante alterada, resultante das diversas remodelações a que esteve sujeita ao longo do séc. XX.

A Quinta de Figueiredo ou de Cepelos, onde vira a ser construída a casa, foi emprazada a Gonçalo Esteves de Figueiredo, no ano de 1475, pelo Arcebispo de Braga, a pedido do administrador do Mosteiro de Pombeiro.

Cineteatro de Amarante

Inaugurado em 1947, o cineteatro teve por principal função a projeção de cinema e algum tempo depois, outros eventos culturais até cair em desuso nos anos 80.

O edifico apresenta uma arquitetura robusta, monumental e austera, como era apanágio da época em que foi construído.

Brevemente irá ser alvo de um projeto de recuperação e de requalificação, levado a cabo pela Câmara Municipal de Amarante, para o tornar novamente, na principal sala de espetáculos do concelho.

Casa da Calçada

O antigo Palácio dos Senhores de Gouveia, mais tarde Condes do Redondo que terá sido construído no séc. XVI, prolongava-se até à ponte de Amarante, terminando na torre portageira. Após a derrocada da ponte e da construção da atual, o Paço ficou desprovido desta torre.

Foi incendiado em 1809, aquando da Segunda Invasão Francesa e posteriormente vendido à família de Lago Cerqueira que o restaurou.

A partir dos inícios do século XX, a casa vai sendo aumentada, por António do Lago Cerqueira para nela instalar umas modernas e inovadoras caves de vinho.

Ponte do Arquinho

A reaparecida ponte do Arquinho terá sido construída no séc. XIII, como comprovam as marcas de canteiro existentes nas aduelas inferiores do vão do arco. Edificada sobre a Ribeira do Queimado, ligava a rua do Covelo (atual 31 de Janeiro) à rua do Cabo (atual António Carneiro) e à antiga praça de Gestaço (atual rua de Olivença). Aquando da reestruturação urbana dos anos trinta, foi soterrada e adossada à conduta que canalizou a ribeira até ao rio.

Recentemente, no âmbito do programa de requalificação urbana da Praça Conselheiro António Cândido, reapareceu e foi incluída no respetivo projeto.

Em cada um dos lados desta ponte estavam colocados os pelourinhos das Câmaras de Gestaço (a montante) e de Gouveia de Ribatâmega (a jusante).

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Nossa Senhora da Assunção

As tradições mais antigas do cristianismo creem que a Virgem Maria, depois da Ascensão de Jesus Cristo, terá vivido apenas mais 10 ou 12 anos, na companhia dos Apóstolos em Jerusalém, e a sua morte terá ocorrido antes das perseguições aos primeiros cristãos, levadas a cabo, no ano de 42 ou de 44, por Herodes Agripa. De acordo com estas tradições, que não constam nos textos das Sagradas Escrituras, os companheiros de Cristo terão dado sepultura à mãe de Jesus, no Monte de Sião, localizado nas imediações do Jardim de Getsémani.

Por ter sido a eleita para mãe do Redentor, o seu trânsito para o Paraíso não poderia ser do mesmo modo que o do comum dos mortais; por isso, a Fé Universal da Igreja crê que a Virgem Maria ressuscitou, tal como Cristo ressuscitara. No entanto, a sua ressurreição não se deu por virtude e poder próprio, mas por intermédio da Santíssima Trindade que a elevou em corpo e alma ao céu, daí a designação de Assunção.

Este mistério da Igreja torna-se um dogma de Fé, pela Constituição Apostólica do papa Pio XII, «Munificentissimus Deus», lavrada em Roma, no ano de 1950. Com este documento, a Igreja Católica autentifica uma das devoções mais antigas do Cristianismo, com profundas manifestações de Fé em Portugal, onde, por vezes, o culto assume a invocação da toponímia local.

António do Lago Cerqueira

Nasceu na Casa da Calçada, a 11 de Outubro de 1880, estudou Filosofia na Universidade de Coimbra e exerceu uma exemplar atividade política, enquanto membro do Partido Democrático, liderado por Afonso Costa, tendo sido ainda Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Trabalho. Exerceu ainda, o cargo de presidente da Câmara Municipal de Amarante e foi inclusive, durante a sua presidência que se deram importantes progressos em Amarante, nomeadamente a chegada da luz elétrica à vila, produzida pela central hídrica de Olo e a construção do Parque Florestal.

Com o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, exilou-se em França, onde passou a frequentar o curso de vitivinicultura e vinificação do Institut National Agronomique de Paris. Regressa a Portugal e, com os conhecimentos adquiridos, introduz importantes melhoramentos nas suas vinhas. Funda as Caves da Calçada, cujo prestígio rapidamente se difunde nos mercados nacionais e internacionais.

Faleceu na mesma casa onde nasceu, a 28 de Outubro de 1945, e a 9 de Novembro de 1947, a Câmara Municipal descerrou um busto em sua memória, na avenida General Silveira.